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Clientes relatam perdas milionárias após plataforma de investimentos sair do ar; polícia apura suspeita de pirâmide no RS

Clientes relatam perdas milionárias após plataforma de investimentos sair do ar A Polícia Civil investiga uma suspeita de pirâmide financeira envolvendo a empresa Capittal X após clientes relatarem perdas milionárias. Até agora, 34 vítimas foram identificadas, e o prejuízo, estimado inicialmente em R$ 5 milhões, pode chegar a R$ 50 milhões. Durante meses, clientes acompanhavam pelo celular a evolução do dinheiro investido e, segundo eles, conseguiam realizar retiradas normalmente. O


Clientes relatam perdas milionárias após plataforma de investimentos sair do ar A Polícia Civil investiga uma suspeita de pirâmide financeira envolvendo a empresa Capittal X após clientes relatarem perdas milionárias. Até agora, 34 vítimas foram identificadas, e o prejuízo, estimado inicialmente em R$ 5 milhões, pode chegar a R$ 50 milhões. Durante meses, clientes acompanhavam pelo celular a evolução do dinheiro investido e, segundo eles, conseguiam realizar retiradas normalmente. O cenário mudou no fim de 2025, quando a plataforma deixou de funcionar e os investidores afirmam ter perdido o acesso aos valores aplicados. Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O caso passou a ser investigado pela Delegacia de Proteção aos Direitos do Consumidor da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Até agora, foram registradas 21 ocorrências. A investigação apura indícios de crime contra o Sistema Financeiro Nacional, além de possíveis crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Segundo a delegada Milena Simioli, titular da Delegacia de Proteção aos Direitos do Consumidor, a empresa não tinha autorização do Banco Central para atuar como financeira. "Com base nos elementos informativos já acolhidos, a gente tem ali indícios de que pode ser sim uma pirâmide", afirma. Nesse tipo de esquema, os recursos aportados por novos participantes são usados para remunerar aqueles que entraram anteriormente. Quando deixa de haver entrada suficiente de dinheiro novo, a estrutura não consegue se manter. A delegada explica que a investigação busca esclarecer se existia intenção de enganar os clientes para obter vantagem financeira. "Nós estamos verificando, com base nos elementos que as próprias vítimas trouxeram para nós, se de fato a empresa tinha o dolo de enganar essas vítimas para causar um prejuízo financeiro e elas conseguirem essa vantagem econômica ou não", diz Simioli. A defesa da Capittal X afirma que a empresa atuou regularmente desde 2019 e que os contratos informavam expressamente sobre a possibilidade de prejuízos financeiros. Também sustenta que foram apresentadas a todos os usuários da plataforma propostas para recomposição das perdas. A defesa afirma ainda que se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Leia, abaixo, a nota na íntegra. Economias e aposentadoria entre os valores investidos Imagem ilustrativa de cédulas de dinheiro Reprodução/ RBS TV Entre os clientes estão servidores públicos, empresários e aposentados. Os relatos mostram que parte deles colocou na plataforma recursos acumulados ao longo de anos de trabalho. Um investidor, que não foi identificado pela reportagem, conta que os planos que tinha para o dinheiro precisaram ser adiados: "Eu queria fazer algumas coisas na minha vida ainda, alguns sonhos, algumas realizações, que eu tive que dar para trás em função disso." Outro cliente afirma que perdeu uma quantia que representava praticamente todo o patrimônio que havia acumulado. "Desde que eu nasci esse dinheiro é o que eu tinha. Agora simplesmente não tem mais nada", diz. Há casos em que as cifras chegam à casa do milhão. Um dos investidores estima ter perdido entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão. Segundo ele, o dinheiro vinha de economias e da aposentadoria: "Perdi bastante dinheiro. Até agora a gente não conseguiu recuperar nada disso". Outro cliente resumiu a dimensão da perda comparando o valor ao preço de um carro. Questionado sobre a aplicação, disse que investia no segmento de criptomoedas. De acordo com os relatos, também havia aplicações ligadas a dólar e ações. Os depósitos eram realizados por transferência bancária ou Pix para a empresa. O que diz a empresa "Em atenção à solicitação encaminhada via WhatsApp, a empresa Capittal X esclarece que: Operou regularmente no mercado de criptoativos desde o ano 2019, como intermediária da compra e venda de ativos, e sempre pautada pelos princípios da boa-fé e da transparência, destacando para todos os seus clientes os riscos inerentes a este mercado e a importância de investir com cautela e moderação. A empresa nunca assegurou qualquer garantia de retorno financeiro aos seus clientes, considerando a extrema volatilidade do mercado de criptoativos. Pelo contrário, a cláusula de alerta às possibilidades de prejuízos financeiros era explícita e destacada no contrato, deixando o investidor ciente de eventuais perdas, conforme sua redação abaixo: O Cliente declara e concorda que poderão ocorrer prejuízos nas operações de intermediação na compra e venda de criptoativos, de modo que a CAPITTAL X TRADE repassará ao Cliente as respectivas perdas. Em paralelo, durante toda a operação a empresa ressaltava aos clientes (e a possíveis impactados por seus conteúdos nas redes sociais) a necessidade de que o investidor operasse neste mercado com consciência, e que avaliasse os riscos do negócio como se percebe pelo print enviado em conjunto com essa manifestação. Após anos de resultados positivos, a partir de 2022 a empresa passou a enfrentar algumas dificuldades de operação, em razão de eventos imprevisíveis inerentes ao mercado de criptoativos, como, por exemplo, a quebra da Exchange FTX e o colapso da TerraLuna, os quais afetaram, inclusive, o setor bancário tradicional e reduziram drasticamente a liquidez do mercado. Em 2025, novos desafios impactaram a operação. A empresa sofreu prejuízos financeiros e uma interrupção temporária em suas atividades decorrente do acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) por um de seus clientes em face da Cappital X. Adicionalmente, o evento conhecido como tarifaço dos EUA contra a China provocou uma retração generalizada que afetou drasticamente a higidez do negócio e a continuidade das operações da empresa, que sofreu perdas substanciais de capital. Em razão dessas perdas, no mês de janeiro do corrente ano, a empresa foi forçada a paralisar suas operações. Mantendo a transparência que sempre orientou a atuação da empresa, os sócios imediatamente comunicaram a situação aos clientes e colaboradores. Solidários ao delicado momento pelo qual os clientes e a própria empresa passavam, os sócios definiram estratégias para o oferecimento de propostas de recomposição das perdas, que foram apresentadas a 100% dos usuários da plataforma em contatos por e-mail e em reuniões virtuais ainda que a empresa sempre tenha deixado claro os riscos das operações. Nesse sentido, calha ressaltar que significativa parcela dos clientes já assinaram acordos de recomposição patrimonial. Em paralelo a isso, os empresários prontamente se colocaram à disposição das autoridades para o devido esclarecimento dos fatos, comparecendo sempre que chamados pelo Ministério Público e pela autoridade policial, e apresentando todas as evidências necessárias a demonstrar que em momento algum agiram de má-fé ou com o intuito de lesar seus clientes. A empresa reitera sua solidariedade com todos os clientes e segue à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos que se fizerem necessários. Porto Alegre/RS, 17 de outubro de 2026. ANDRÉ MAYA OAB/RS 55.429 RENATA GUIDOLIN OAB/RS 54.669 GABRIELA CASARIN OAB/RS 116.878" Imagem ilustrativa de cédulas de dinheiro Reprodução/ RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Fonte: g1.globo.com

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