Pular para o conteúdo
No ar
13:01 às 17:56 TESTE com Logica
Tocando agora Radio Hiperativa ao vivo
Fale no WhatsApp

Caso Benício: laudo da perícia não encontra edição em vídeo da defesa de médica; delegado reafirma que material é clandestino

Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, faleceu em hospital de Manaus. Arquivo pessoal Uma perícia do Instituto de Criminalística do Amazonas não encontrou indícios de edição, cortes ou inserções em um vídeo apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, em Manaus. O laudo, assinado em 6 de outubro e obtido pela Rede Amazônica, aponta, no entanto, que não foi possível identificar o sistema hospitalar exibido na gravaçã


Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, faleceu em hospital de Manaus. Arquivo pessoal Uma perícia do Instituto de Criminalística do Amazonas não encontrou indícios de edição, cortes ou inserções em um vídeo apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, em Manaus. O laudo, assinado em 6 de outubro e obtido pela Rede Amazônica, aponta, no entanto, que não foi possível identificar o sistema hospitalar exibido na gravação nem determinar se o áudio foi retirado posteriormente. O documento afirma que o arquivo analisado é uma cópia recomprimida por um aplicativo intermediário, sem metadados que permitam identificar a origem da gravação. O vídeo é uma filmagem da tela de um computador feita por uma câmera e não uma gravação de tela produzida por um programa. Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Além disso, a faixa de áudio não apresenta som e parte da tela aparece encoberta por um caderno. Segundo a perícia, não foi possível determinar se a gravação foi feita sem áudio ou se o som foi silenciado ou removido em alguma etapa posterior. Caso Benício: Justiça torna rés médica e técnica de enfermagem por morte de criança O laudo também aponta que não foi possível identificar o nome do sistema hospitalar, o sistema operacional, o navegador, o usuário, o estabelecimento, o paciente ou a data e a hora em que a gravação foi feita. Essas informações não aparecem nos quadros analisados, seja pelo enquadramento fechado, seja pela parte da tela encoberta pelo caderno. A leitura automatizada de texto aplicada pela perícia também não encontrou esses dados. Delegado afirma que vídeo é clandestino O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e responsável pela investigação, afirmou à Rede Amazônica que a perícia foi solicitada antes do encerramento do inquérito para verificar se havia adulteração no vídeo. Segundo ele, a investigação não alegou que o arquivo havia sido editado. A suspeita, de acordo com o delegado, era de que o sistema hospitalar tivesse sido manipulado e o cenário alterado. "Nós aqui do 24° DIP nunca alegamos que o vídeo tinha sido adulterado ou editado. A nossa alegação era que a pessoa que estava manipulando esse sistema havia adulterado o cenário. Nós nunca alegamos que o vídeo tinha sido alterado. Tanto que no meu relatório final eu alego que esse vídeo é clandestino, ou seja, não se sabe onde foi feito, que computador foi usado", afirmou. O advogado de Juliana Brasil afirmou à Rede Amazônica que o laudo é prova inequívoca de que o sistema errou. A defesa disse ainda que continua buscando provas da inocência da médica. Laudo pode ser analisado após fim do inquérito Como o inquérito já foi concluído e a Justiça aceitou a denúncia contra a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia, a Rede Amazônica procurou o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) para saber se o laudo ainda pode ser considerado no processo. O tribunal informou que laudos podem ser anexados após o fim do inquérito e analisados na fase de provas e na decisão de pronúncia ou impronúncia, conforme a unidade judicial responsável pelo caso. Relembre o caso Benício Xavier de Freitas morreu no dia 23 de novembro de 2025, em um hospital particular de Manaus, após ser levado à unidade com tosse seca e suspeita de laringite. De acordo com a investigação da Polícia Civil, a médica Juliana Brasil prescreveu adrenalina por via intravenosa, embora o tratamento indicado para o quadro clínico fosse a administração do medicamento por inalação. A técnica de enfermagem Raiza Bentes aplicou a medicação na veia, mesmo após a mãe da criança questionar o procedimento. Logo após receber o medicamento, Benício sofreu múltiplas paradas cardíacas e morreu. A investigação concluiu que houve um "erro médico grosseiro" e apontou que a criança recebeu uma superdosagem de adrenalina. Durante o inquérito, a polícia também informou que a médica trocava mensagens sobre venda de maquiagem pelo celular enquanto o menino era atendido. Os investigadores ainda apontaram que ela se apresentava como pediatra, apesar de não possuir Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área. Em decisão publicada em julho, a Justiça do Amazonas manteve as duas como rés e negou os pedidos das defesas para anular a denúncia e encerrar o processo. A defesa de Juliana também havia solicitado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mas o pedido foi negado. Segundo o juiz, o benefício não pode ser aplicado em casos de homicídio doloso. Na mesma decisão, o magistrado determinou que a defesa tivesse acesso integral às provas digitais reunidas na investigação, incluindo registros do sistema hospitalar e vídeos em formato original. Outros desdobramentos Em outra frente do caso, o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) instaurou processos ético-profissionais para apurar possíveis irregularidades na assistência prestada à criança. Além disso, a Justiça determinou que o advogado da médica retirasse das redes sociais fotografias de Benício e publicações com a frase "eu não matei Benício". A decisão considerou o conteúdo sensacionalista e ofensivo à honra dos pais da criança. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 2 mil.

Fonte: g1.globo.com

Compartilhar